09/11/2016 16h44 - Atualizado em 10/11/2016 11h08

Em MG, vitória de Trump preocupa familiares de imigrantes ilegais

Famílias de Governador Valadares estão aflitas com vitória do republicano.
Segundo especialista, mais de 50 mil valadarenses vivem nos EUA.

Patrícia BeloDo G1 Vales de Minas Gerais

A vitória do novo presidente dos Estados Unidos Donald Trump deixou famílias preocupadas em Governador Valadares, no Leste de Minas. O presidente eleito deixou claro durante a campanha que se fosse escolhido para ocupar a Casa Branca deportaria todos os imigrantes ilegais. Calcula-se que mais 11 milhões de pessoas vivem de forma ilegal no país. De acordo com o especialista em direito internacional Fabiano Leitoguinho, mais de 50 mil valadarenses moram nos EUA.

Keila Oriol da Silva, de 45 anos, vive em Valadares com os filhos e o marido dela mora nos Estados Unidos há 16 anos; toda a renda da família vem do país.

Keila e os filhos estão no Brasil e o marido mora há 16 anos nos EUA (Foto: Arquivo Pessoal)Keila e os filhos estão no Brasil e o marido
mora há 16 anos nos EUA (Foto: Arquivo Pessoal)

Keila conta que o marido se arriscou a atravessar a fronteira do México porque sempre sonhou em morar nos Estados Unidos. Na época, ele foi sozinho, deixando ela e os dois filhos que tinham 6 e 8 anos. Hoje ele trabalha no ramo da construção civil, mora no norte do país e tem permissão de trabalho.

Keila acreditava na legalização do esposo, caso a democrata Hillary Clinton fosse eleita. "Meu marido não quer vir embora porque nós dependemos da renda dele para vivermos aqui. Ele paga todas as despesas da casa, além de escola particular e faculdade para meu filho. Estávamos torcendo pela Hillary, pois ela manteria os decretos do presidente Barack Obama, que regularizaram de forma temporária a residência de milhares de imigrantes. Além do mais, acreditávamos que ela criaria novas leis que permitiriam a legalização de uma forma mais rápida”, disse.

O fluxo migratório começou na segunda metade da década de 1980. "Muitas pessoas se aventuram nessa ida aos EUA. A grande maioria que está lá remete recursos para o Brasil e refazem a vida aqui. Essa rigidez que o Trump está prometendo vai impactar diretamente na economia da região”, diz Fabiano Leitoguinho.

A mesma situação é vivida pela família de Jussara Alves Fernandes. O irmão dela está nos Estados Unidos desde 2004.

"Torcemos tanto para ela, pois os democratas são mais sensíveis quanto às leis imigratórias. Meu irmão casou há um ano com uma americana, mas ainda não garantiu a legalização. Estamos apreensivos que o Trump crie alguma lei para que atrase o processo", lamenta.

 

 

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